Fortalecimento da Organização Social

Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB, 2008), existem aproximadamente 70,5 mil catadores informais atuando em ruas e lixões, e 30.390 organizados em cooperativas ou associações. As catadoras e catadores de materiais recicláveis são responsáveis por 70% do processo de coleta seletiva em todo o território brasileiro. Promover a organização e a inclusão social deste grupo é contribuir para o desenvolvimento sustentável.

Durante o Diagnóstico Socioambiental Participativo (DSAP) foi identificada uma intensa atividade de coleta de resíduos recicláveis no município de Corupá/SC e uma necessidade de organizar e fortalecer este grupo junto ao poder público local. As atividades relacionadas ao projeto de Fortalecimento da Organização Social foram realizadas na 2ª e 3ª Campanhas do Programa de Educação Ambiental, ambas com os catadores de materiais recicláveis do município de Corupá/SC e as ações tiveram o apoio da prefeitura municipal de Corupá/SC.

2ª Campanha

Durante a 2ª Campanha (junho de 2019) foi realizada a primeira ação deste projeto, uma reunião com o Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Corupá. O objetivo desse encontro foi levantar informações acerca da coleta seletiva que o setor pretendia implantar no município, e verificar a melhor forma de integrar o grupo de catadores de materiais. Entre as informações necessárias, era importante saber qual o tipo de apoio que a prefeitura pretendia oferecer aos catadores, se havia intenção de estabelecer algum tipo de financiamento, se o município possuía alguma informação sobre o perfil dos catadores de materiais recicláveis do município, entre outras questões pertinentes. 

Diversas informações importantes foram levantadas nesta reunião. A prefeitura manifestou interesse em fazer educação ambiental nas escolas municipais para difundir o projeto e intensificar a sensibilização da população sobre a separação correta do lixo. Além da coleta do lixo, a prefeitura pretendia instalar, nos bairros rurais, caçambas para a coleta de lixo reciclável.

Após a coleta de informações sobre o projeto de coleta seletiva, foram levantados dados sobre os catadores informais presentes no município. A atividade da coleta é bastante disputada na região, existem catadores que estão há mais de 10 anos na atividade e alguns que estão iniciando no ramo. 

A oficina com os catadores de materiais recicláveis foi realizada no Auditório da Secretaria de Educação e Cultura (Rua Jorge Lacerda, nº 75) no centro do município de Corupá. Os participantes foram recebidos com um crachá em branco e cada participante foi convidado a escrever seu nome no crachá e desenhar uma imagem que o representasse. Após executarem essa tarefa, todos se apresentaram, falando da imagem que escolheu. Vários participantes colocaram símbolos da natureza, como árvore, folha, sol e cachoeira, demonstrando o interesse em comum pelo meio ambiente e sua preservação. 

Após a abertura da oficina, foi projetado o vídeo sobre a Importância da Cooperação e feita a leitura de imagem,  e interpretadas as imagens, e em seguida, os participantes foram convidados a refletir sobre a seguinte questão: "Qual a importância do catador de material reciclável para coleta de lixo de Corupá?". Durante a reflexão, foram feitas anotações sobre a percepção dos participantes e colocadas em um mural. Dentre as respostas fornecidas, destacaram-se as seguintes:

  • Limpar a natureza;
  • Economia para o município;
  • Aumento da vida útil do aterro sanitário;
  • Dar destinação correta aos materiais;
  • Comodidade de ter a coleta de lixo reciclável no seu domicílio;
  • Ajuda na conscientização da população;
  • São os limpadores da cidade;
  • É bom para a memória (na separação dos materiais);
  • Conhecimento sobre os materiais.

Após a leitura de imagem, foi feita uma apresentação em slides sobre a importância do catador de material reciclável, passando brevemente sobre a questão de gestão de resíduos sólidos. Durante a apresentação, diversas observações foram colocadas e discutidas com o grupo, tendo sido uma atividade bastante participativa.

Em seguida a essa atividade, teve início a "Oficina do futuro", metodologia na qual os participantes são levados a pensar fora dos condicionantes comuns, diagnosticando os seus sonhos e os seus lamentos em processo coletivo. Este processo é uma forma de produção coletiva do conhecimento, a partir do princípio de que todos têm a aprender e a ensinar, cada qual à sua maneira e, em conjunto, devem encontrar os caminhos para enfrentar os desafios e buscar as soluções.

A oficina é dividida em três etapas: o Muro das Lamentações, a Árvore dos Sonhos e o Plano de Ações. Para este encontro, optou-se por desenvolver apenas as duas primeiras, uma vez que era o primeiro contato da equipe com o grupo. No Muro das Lamentações são colocados os problemas enfrentados, enquanto que na Árvore dos Sonhos são apresentados os objetivos que se pretende alcançar.

A escolha dessa oficina para este grupo teve como objetivos: promover a reflexão sobre as dificuldades e sonhos individuais, averiguar se existe uma identificação coletiva com problemas vivenciados por um grupo específico, no caso a classe de catadores de materiais recicláveis, e verificar se, coletivamente, esses problemas e sonhos podem ser mais facilmente superados e alcançados.

A atividade teve bastante interação com os presentes, notando-se que houve mais inserções no Muro das Lamentações do que na Árvore dos Sonhos, o que pode demonstrar que o grupo apresenta muitas dificuldades em busca de seus ideais.

Na Árvore dos Sonhos foram levantados:

  • A necessidade de aluguel de um espaço físico pela prefeitura, para que pudessem trabalhar de forma coletiva;
  • Maior igualdade nos ganhos do trabalho realizado, recebimento de partes iguais,
  • Qualificação do pessoal;
  • Um espaço adequado para trabalharem;
  • Educação Ambiental sobre a Coleta Seletiva para a comunidade;
  • Catadores mais comprometidos;
  • Reaproveitamento de estruturas públicas abandonadas para que pudessem utilizar como espaço para a triagem;
  • Representação pública que defenda o interesse da classe de catadores de materiais recicláveis;
  • Levantamento de todos os catadores de materiais recicláveis do município nos seus diferentes níveis de atuação;
  • Maior apoio do poder público na causa;
  • Não ter necessidade de fazer a coleta, receber os resíduos.

No Muro das Lamentações, dentre as dificuldades, foram citadas:

  • Falta de opção para venda dos materiais recicláveis coletados e triados;
  • Existência de muitos atravessadores e aproveitadores;
  • Falta de organização dos resíduos adequadamente;
  • Falta de conhecimento da população sobre coleta seletiva;
  • Dificuldade dos catadores de se estabelecerem no início da atividade;
  • Esquema de comercialização que excluem alguns catadores;
  • Falta de ajuste, igualdade, nos preços dos materiais;
  • Burocracia;
  • Recebem resíduos muito misturados;
  • Falta de incentivo do poder público;
  • Falta de segurança no desenvolvimento das atividades;
  • Condições de trabalho precárias;
  • Falta de incentivo fiscal.

Durante a realização da Oficina do Futuro, todos os pontos levantados foram discutidos com os presentes, sempre tentando demonstrar que, coletivamente, os obstáculos são mais fáceis de superar e os objetivos de alcançar. Para fortalecer o sentimento de união e reforçar as vantagens da cooperação e trabalho em grupo, foi passado um vídeo sobre a experiência da Cooperativa Coopersoli (Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região) no município de Belo Horizonte - MG nominado "TV Conecta BH - Reciclagem garante renda e vida digna a catadores" que conta um pouco sobre como a cooperativa contribuiu para o desenvolvimento do grupo e de seus cooperados.

Ao final do vídeo, o grupo discutiu novamente as vantagens do cooperativismo e/ou associativismo. Para o encerramento da atividade, foi realizada uma roda onde cada um dos participantes foi convidado a falar uma palavra que simbolizasse o encontro realizado. Foram citadas: trabalho, conhecimento, esperança, união, aprendizado, consciência, experiência, compromisso, entre outras.

Ficou acordado com os participantes que, para o próximo encontro, seriam trabalhadas questões relativas à legislação aplicada aos catadores de materiais recicláveis e sua atividade, para que eles tivessem maior base legal para batalhar por suas melhorias, além de informações sobre cooperativismo e associativismo.

3ª Campanha

O segundo encontro trabalhou informações sobre Legislação Ambiental aplicada a Catadores de Materiais Recicláveis, como forma de auxiliar a sua organização e repassar direitos e deveres das diversas partes interessadas envolvidas no processo de reciclagem. Foi realizada no auditório da Secretaria de Educação do município de Corupá/SC.

A oficina teve caráter de exposição dialogada utilizando imagens, vídeos e linguagem simples, de forma lúdica e participativa. Iniciou-se com a apresentação sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, enfatizando sempre as citações relacionadas aos catadores de materiais recicláveis presentes nessa legislação.

Depois, a apresentação foi voltada para a discussão de leis que incentivam a criação de associações e/ou cooperativas de catadores, apresentando as vantagens e desvantagens de cada uma das formas de organização, além da classificação de resíduos sólidos recicláveis. Também foi apresentado o Plano Intermunicipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos dos Municípios do Vale do Itapocu - PIGIRS, uma vez que o município de Corupá está inserido no Vale de Itapocu e no plano existem diversas orientações quanto ao gerenciamento de resíduos na região e o papel dos catadores neste processo. 

Materiais Didáticos do Projeto Fortalecimento da Organização Social

Videos utilizados no Projeto Fortalecimento da Organização Social